Mathias Depardon, seus sonhos da Anatólia – Libertação


Um arqueiro e soldados, metralhadoras na mão; tropas de meninos e homens sem pêlos desfilando em uniformes, todos os tipos de uniformes; mulheres com cabelos velados em chiffon preto ou em seda bordada com as cores do Oriente; represas, pedreiras, campos de chá e costas cheias de ferro enferrujado; o falso monumentalismo de uma capital inventada, estranhas construções nos flancos de rocha, minaretes de todas as cores e vestígios submersos … Mathias Depardon viveu cinco anos na Turquia, um país que sua prática como fotógrafo documental leva a explorar em todas as direções, e até nas suas prisões: em 2017, enquanto continuava na Mesopotâmia um trabalho em torno da água e a construção das vinte barragens pelas quais o Estado turco pretende remodelar o território da Anatólia, foi detido, encarcerado em Gaziantep e depois expulso na sequência de uma mobilização e a intervenção do Elysee. Desta permanência de longa duração, mas também de viagens ao Cáucaso, Ásia Central ou mesmo Xinjiang – o antigo Turquestão Oriental (de acordo com seu nome do século 19), agora objeto de uma violenta campanha de sinização -, segue-se Transanatolia, séries soberbas vagando, ao longo dos rios, riachos, margens e fronteiras que desenham o “Fronteiras do coração” caro ao pan-turco do presidente Erdogan.

Acompanhadas de um livro recém-publicado por textos do jornalista Guillaume Perrier e de uma entrevista com o historiador Hamit Bozarslan, as delicadas imagens de Mathias Depardon, estruturadas por uma aguda preocupação com a cor, descrevem de forma onírica o que a imaginação se desdobrou desde a Turquia moderna, uma construção desde o início do século 20 desenhado com uma tesoura sobre a expansão de um império que de outra forma seria vasto, cujas notícias nunca param de lembrar brutalmente, na Síria como em Nagorno-Karabakh, que o luto não acabou.

Transanatolia por Mathias Depardon, ed. André Frère, 176 pp., 45 €.

Source: Libération by www.liberation.fr.

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